O CORDEL

O CORDEL
Criar é a arte

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Sem munição

 

Eu nunca estive tão mal com você. Já esgotamos nossas munições, já apostamos todas as fichas, já fizemos de tudo e ... nada.

Já falamos, calamos, gritamos, brigamos, nos ignoramos, sofremos, nos arrependemos, repensamos, demos a nós todo tempo e mais um pouco, como se não tivéssemos a menor pressa de sermos felizes. Na verdade, não temos mesmo... Eu, pelo menos, nem mais acredito. É, isso mesmo! Porque também conseguimos isso:  esgotar as nossas esperanças!

Estou mesmo com essa surpresa irônica, diante do nosso tamanho fracasso. Foi o pior fiasco da minha vida. É uma vergonha reconhecer que penduramos as botas antes dos 50, e que juntos não  passamos de mais amigos.

Chega dar uma dor no peito, tamanha angústia...

“Que coisa”, eu penso... “Como podemos? Como eu pude?”, me pergunto ...

Tantas duvidas e nenhuma compreensão lógica, nenhuma explicação plausível. Não era pra ser assim...Imagino. Mas, agora? Com esse  resultado incrívelmente vergonhoso, o melhor a dizer é: “não era pra ser...”

Mas, isso não me consola.

Você não me consola. Nem liga.

E não me diga que você não responde por isso. Chega de dissimular e  ficar alheio a todas essas verdades.

 Eu respondo pela minha desistência. Pela minha falta de vontade. Pela decepção que não escondo.

Eu respondo pelo meu silêncio e pelo meu grito preso na garganta.

E você, pelo que responde?

Ou se calará pra sempre...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Tão em paz sem ti

 Fico tão em paz sem ti.

Estranho confessar a mim mesmo...


Aquela agitação passa.

Aquela raiva.


Estranho como conviver pode ser assim.

Um frequente insucesso.


É assim, quando não se aprende a lição diária...

Quando apenas repetimos o erro, consecutivas vezes. 

E cansa, sabe?

Cansa te ver assim, inerte aos nosso problemas.

Fazendo mal pra alma da gente.


A vida parou, sentiu?

Nada passou a dar certo.

E você não aprende, não é? 

Triste.


É... Traumas destroem.

Não sei se você tem ou não o controle, 

mas tente.


Sozinho desta vez.


quarta-feira, 17 de julho de 2019

PÉTALA QUE CAI

O NOSSO AMOR É UMA PÉTALA, QUE SE SUSTENTA POR UM FIO. AO SOPRO, AO VENTO, AO CALOR, ÀS BORDOADAS. É POR UM FIO, TÃO FINO, QUE MAL SE VÊ, QUE MAL SE NOTA. UM FIO FINO, MAS FORTE. SÓ UM FIO, UM ELO, UMA CORDA EM QUE SE AGARRA, UMA CORRENTE QUE AMARRA. UM FIO FRÁGIL, QUE POR VEZES, DÁ VONTADE DE RASGÁ-LO COM A MÃO OU APENAS ESPERAR QUE O PESO O DERROTE. O NOSSO AMOR COMEÇOU TÃO LINDO FEITO PÉTALA, QUE NO TOQUE CONQUISTA. DE TÃO SUAVE, APAIXONA. TÃO NATURAL, QUE NÃO SE DUVIDA. TÃO LEVE, TÃO CHEIO DE VIDA, DE RISO E SONHO. O TEMPO PROVOU ESSE AMOR. MAGOOU ESSE AMOR. FRUSTROU-O. APAGOU SEU BRILHO. POR SORTE, NÃO O MATOU. SORTE? NOSSO? AMOR? O TEMPO APAGOU O QUE VIVEMOS. A IDADE FEZ ESQUECER. A AUTO-DEFESA OBRIGOU A NÃO LEMBRAR. HOUVE MEDO DE ERRAR, DE SE DEIXAR DE NOVO APAIXONAR. MEDO DE REPETIR ESSE AMOR MAL VIVIDO. DE CARREGAR POR MAIS TEMPO O PESO DO CONVIVER. É A REJEIÇÃO À ÍMPAR IMPACIÊNCIA, À INESPERADA RESPOSTA RÍSPIDA, AO INTOLERÁVEL TOM GRAVE, À INCÔMODA CARA SEM RISO, À VIDA SEM GRAÇA, À FALTA DE TEMPO; OU SERIA A CULPA DO TEMPO DOADO DEMAIS? PERDEMOS OS BOM DIAS E PIOR, AS BOAS NOITES. PERDEMOS TANTO, QUE DÁ PENA, TANTA PENA DO QUE A GENTE PODIA E NÃO VIVEU. A FLOR NÃO FOI REGADA E FOI ESSE O PONTO. SOBREVIVE ATÉ AQUI... MAS, POR UM FIO...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

CORAÇÃO DE ANA

Quando fui mãe, pela 1a. vez,  eu ainda era uma criança, apesar de ter 24.
Usei meu instinto para cuidar e proteger. Usei meu amor para suplantar minha inexperiência.
Nunca fui "aquela" mãe!
A comida não era das melhores.
Nunca soube esticar bem uma roupa.
Nem mesmo fazer bem a cama.
Muita pressa ao lavar a louça.
Nada de fazer bem uma faxina...
Não sabia ensinar a lição da escola.
Não gostava de ir às reuniões do colégio.
Mas sentava para ver os filmes infantis. Inventava músicas, falava com voz de criança...
Dançava junto.
Até vestia fantasia.
Meus filhos não iam pra escola com uniforme passado.
E mais,  até  acordavam e se vestiam sozinhos.
Não levavam lanche nem trocado.
Eu não desembaraçava o cabelo das meninas. Nem ligava se não gostavam dos brincos, babados e laços.
Dava banho sem descansar o almoço.
Deixava andar de pé descalço.
E dormir depois das 10h da noite.
Nunca bati num filho.
Nunca gritei com eles.
Nunca quis impor ordens, regras.
Nunca exigi que fizessem nada pra mim.
Nunca chantageei ou ameacei. Nunca propus que fizessem nada em troca de algo.
Sempre estive longe de ser a mãe exemplar.
Eu trabalhava fora e não me sentia menos mãe por isso. Meus filhos absorveram um exemplo libertador de mãe  que paga contas, compra presentes, não  deixa lhes faltar nada.  E quando está  em casa, é  só  deles.
Não me apliquei em ser a mãe que preparava pra vida, que educava, que impunha limites, que exigia obediência e respeito.
Nunca exigi a nota 10, o caderno bem cuidado nem mesmo estudar pra prova.
Fazia parte do meu ser deixá-los livres para serem o que quisessem.
Sempre gostei das folgas, dos feriados prolongados e das férias dos meus filhos. Porque sempre foi bom tê-los em casa. Nunca paguei colônias de férias, nunca fizeram viagens, não conheceram os pontos turísticos comigo.  Privei meus filhos de diversão, porque sempre fui daquelas que protegia demais. Muito neurótica com o perigo. Sei que isso foi péssimo!
Pra sair, só com identificação, telefone, nome e endereço dentro da roupinha.
Nada de se expor a riscos.
Deixei de me divertir e curtir com eles. Mas fiz o que o meu coração  pedia. Não conseguiria ser diferente.
Hoje meus 3 primeiros filhos cresceram.
Cortaram o cordão umbilical.
Tanta proteção... e hoje, não posso controlar seus passos.
Apenas confiar que estão guardados por Deus.
Não estou mais perto, à distância do esticar de um braço.
Minha vontade não é nenhuma lei. Na verdade, nunca foi.
São grandes o suficiente para sonhar e irem atrás de seus sonhos, libertos dos meus  medos e fortes o bastante para não nutrirem os seus.
Libertos da minha proteção excessiva, hoje, apenas vão! Ou não... Se quiserem.
Pois a vida me ensinou que mãe e pai são breve companhia.
Quando o filho encontra o caminho da liberdade, diz um tchau e segue só.









terça-feira, 15 de dezembro de 2015

1 ANO

De repente,  passou tão  ligeiro e você  completa o seu primeiro ano.
E pensar que eu tenho vivido os melhores dias das últimas décadas amanhecendo contigo.
De repente,  os meses correram e o que era lindo se superou .
Um presente de Deus para todos nós,  que nos apaixonamos por tudo o que é  você.
Você  vem mudando dia a dia.  Os olhinhos puxados, sempre alertas e brilhantes,  não  ficaram mesmo azuis... Os cabelos, acobreados,  deixaram de ser  lisos e ganharam os cachinhos mais deslumbrantes que já  vi... As  sobrancelhas, enfim, apareceram! E também os cílios, que eram quase transparentes... Os primeiros dentinhos demoraram pra nascer, mas cumpriram a meta de fazer pelo menos 2 gols antes do primeiro aniversário.
Meu copinho de leite, você é pura gostosura!
Sua voz suave agora repete, com delicadeza, sílabas que definem o seu mundo: Papa, Mama, Bieua, Paua, Bobó, tá! E por enquanto já é o suficiente para nossa comunicação estar completa.
Suas mordidinhas em forma de beijo, abocanhando meu rosto, meu ombro e o joelho da irmã...Que delícia!
Suas lindas mãozinhas levam à boca tudo o que está pela frente. E assim já se foi o primeiro controle da TV...
Você sempre retribui a todos com um sorriso. Nada de mal-humor de manhã!
Quer paz e segurança ao seu redor! Qualquer tom mais alto ou gesto abrupto te faz tremer! E é desse jeitinho que você nos força a reduzir o ritmo, vir com calma, atendendo ao seu convite de levar uma rotina mais serena.
 Você está cada dia mais alegre! Cada instante mais sabido! Mais doce e amável! Esse é você!
E quanto espero acompanhar cada um de seus momentos, para aprender contigo mais do que lhe ensinar.
Você é a realização de um sonho perdido.
A restituição que eu e seu pai não  esperávamos.
A luz que brilha bem diante dos nossos olhos iluminando o nosso amanhã. Você me faz querer estar lá contigo, lá na frente, ao seu lado!
Você é uma doce e inesperada benção, que nos faz ser muito mais gratos a Deus,  que nos surpreendeu com você.
João Vitor,  quisera eu encontrar palavras...   Mas como não  se define o amor com elas,  me contento em apenas dizer: "filho,  como eu te amo!"  E saber que,o que está além das palavras, é  a essência viva, forte e eterna que  flui entre eu e você.
Muita vida, plena de paz!
Parabéns, João Vitor, meu bebê!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Preguiça

PREGUIÇA 

 Descobri que tenho preguiça de fazer meu talento virar dinheiro. 
De profissionalizar o que faço por habilidade inata. 
Não quero aplicar esforço. Não quero empreender nenhuma tentativa. Algo falta; e, simplesmente, não quero completar.
 Não quero o aperfeiçoamento, a aprendizagem.
 Quero a forma rude. O meu jeito despretencioso e gratuito de me inspirar e escrever. 
Se existem técnicas, formas, meios e maneiras, simplesmente ignoro e desprezo.
 Quero extrair de mim a primeira idéia, sem trabalhá-la.
 Não quero pensar duas vezes.
 Quero o sabor do desabafo, o alívio que me dá quando escrevo o que sinto. Palavras se formam naturalmente e borbulham. 
Mistério meu, só interessa a mim. Não quero o trabalho de revisar e corrigir. Não quero julgar a moral das minhas histórias. 
Quero o argumento instintivo e bruto. Sem técnica mesmo. Não quero expor meu trabalho às críticas.
 Prefiro permanecer em segredo, como aquela receita caseira de bolo, que de tão comum, não se repassa. Serve apenas para tomar com o café e, quiçá, servir para as visitas mais íntimas. 
Esse bolo, prefiro comer só, com uma xícara de café fresquinho, sentada à mesa da cozinha.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

AMORES PERFEITOS

Tive a dádiva de nascer com coração de mãe
Um coração aberto pra doar tudo em mim
Uma vida pronta para amar como a mim
E mais que a mim, a ponto de dar a vida

Mãe é assim, e todo mundo entende
O grau, a força, a intensidade
E nada é igual nem se compara

Ser mãe é se entregar
Deixar de ser um todo para viver por uma parte
A melhor e mais importante parte de mim

Amor perfeito? Tenho 5.
Os meus filhos.
Gabriella, a primeira.
Gerada no sonho, na vontade, na ânsia e na alegria.
Mulher de Deus, enviada por Deus, diz seu nome.
Forte, inteligente, cheia de si.
Por um tempo esquivada, ressentida, calada e enigmática,
retraída e pensativa, de riso incontrolado: quase um deboche.
Por um tempo, confusa...
Por um tempo distante dos nossos sonhos.
Apenas tentando se encontrar.
E o coração de mãe diz: pode ir em busca, continuo aqui, aparando, se a ilusão te fizer cair.

E a história vai sendo escrita, letra por letra.

Meu segundo amor, não menor do que o primeiro.
João Pedro, gracioso, firmado sobre a Rocha.
Menino puro, pura infãncia.
Hoje um homem que se forma, lentamente.
Projetos quase secretos, sonhos altos, mas sem pressa
Estável, verdadeiro, silencioso e tranquilo.

Giullia, minha caçula por tantos anos.
Menina sapeca. A graça da família.
Corajosa e forte. Cheia de opinião.
Hoje, uma moça linda que quer asas pra voar, na simplicidade do sonho de apenas ser livre.

CeCe, minha filha peludinha, que veio pra sarar a dor da perda de um filho no ventre.
Bebê adorável e escudeira fiel
Amor intenso,
Minha eterna companhia.
Aquela cujo sonho é apenas um e sou eu.

João Vitor,  presente,  milagre, recomeço,
A graça e a vitória, a luz, o sorriso, a esperança
Quando tudo disse não, Deus quis e nos deu.

Para todos me entrego, dia a dia, sem reservas.
Por inteiro.
Amores Perfeitos? Eu tenho!

Obrigada, meu Deus pela dádiva do milagre da vida, gerada em mim.




ME PUXE PRA PERTO

ME PUXE PRA PERTO


 Teu toque
 Teu calor 
Teu cheiro 
Teu amor 
 Tua voz rouca e forte
 Teu corpo pronto e no ponto
 Sempre Me puxam pra perto 
 Teu olhar 
Teu riso difícil 
Tua graça flagrada de relance
  Tua força 
Tua vontade 
 Teu agir rápido e prático
 Teu impulso inconsequente Me puxam pra perto
  Tudo teu atrái a mim 
Me une a ti
 Me cola a ti
 Até teu nome 
Teu abraço, 
Teu amasso, Teu sossêgo que anseio
  Basta um toque 
Chegue mais perto 
Me puxe pra perto 
Esqueça o resto

sexta-feira, 3 de julho de 2015

TIA

Tia, hoje nós nos vimos de novo

A sua alma me pediu para não desistir de lutar
E eu, que devia acreditar até o fim, confesso: quase desisti ao ver que seu corpo  já não suporta mais

Já se vão quase 10 meses, muito difíceis de encarar
Os médicos já estão achando que a senhora não volta mais pra casa...

O que eles  não entendem é... como a senhora, que está tão frágil,  consegue se equilibrar tão heroicamente nesse fio fino, nessa corda bamba, sem cair?

Eu realmente não sei como  suporta

Mas, em meio a lágrimas e expressões de dor, vem a resposta... Seus lábios balbuciam: " Jesus é ma-ra-vi-lho-so!"

Esta aí a sua força!

Mas,  já é hora desse sofrimento ter fim, não é?


A senhora precisa desse bálsamo

Sabe, tia, hoje eu cheguei a pedir a Deus uma coisa
Espero mesmo que a senhora me entenda
Pedi que Ele lhe vista de vestes bem brancas e lhe apronte para voltar...

Pedi que Ele lhe fortalecesse as pernas
 ou...se não fosse mais possível,
 que Ele lhe desse asas para sair daí
para se libertar!

O que mais quero é que a senhora seja livre!

Mas, eu sei que  a senhora não quer que eu, nem por um instante, pense nisso.
Quer que eu apenas continue crendo! Que eu não desista!

E a senhora está certa, tia!
Eu vou continuar crendo
Que logo vamos dizer:
Acabou! Se levante, pegue suas coisas!
Vamos pra casa, tia!

Em nome de Jesus, Deus, diga que vamos!







quinta-feira, 21 de agosto de 2014

ONDAS BRAVIAS


Como as ondas que vão e vem,
batem forte depois amansam
Assim tem  sido a nossa vida juntos
Depois da calma, mais um golpe
que nos arrasta violentamente para o fundo
Estou sem fôlego e sem esperança
Não sei mais se vale a pena insistir
Quero águas tranquilas
Mas, com você, só vejo ondas
É hora de dar as costas, correndo,
e buscar terra firme, longe daqui.


sábado, 12 de abril de 2014

OVELHAS SEM PASTOR

Profanaram os altares?
Lobos em pele de cordeiros,
Seus sepulcros caiados!

Profanaram, sim,  o lugar santo
Agora eu vejo!

Ergueram o abominável da desolação
Quem lê, entenda!

Fizeram a morada do anticristo
Debaixo dos meus, dos nossos olhos

Ofertamos sem saber a quem

Invadiram a casa do Senhor?
Hereges!

Vaidosos, orgulhosos, cheios de cobiça
Contaminaram milhões

Seduziram os pobres com promessas de grandeza,
Mercadejaram a fé em nome do deus manon

Fizeram tudo, tudo isso
Sem medo, sem piedade
Pois nada temem

O povo, submisso e fiel,
pensou ser o escolhido

Não vimos seus símbolos pagãos
Não vimos a maldade estampada em seus olhos
Não percebemos suas intenções

Apenas sacrificamos
Sangue e alma
Caímos feito bobos
nas teias da perdição

Como fantoches, fomos a própria cena
de um teatro armado para pescar quem semeie

Quanto engano...quanto tempo... quantas perdas...

Fomos contaminados pela ostentação
Almejamos ser grandes
Pagamos ao seu deus  com fidelidade
A cada promessa de favor, uma moeda;
ou melhor: o nosso tudo.

Sem sacrifício? Sem sucesso.
Explicado.
Ninguém ousou duvidar.

Quem subestimou o mal
e pensou que ele estava ali na esquina, no bar, na sarjeta...
Matando, roubando, destruindo...Em nossas casas causando desgostos,
Nos saquitéis furados...Nos leitos de dor...
Se enganou.

Eles querem muito mais que isso...
Estão instituindo uma nova ordem
Tomando o poder das  nações

Principados e potestades deste mundo tenebroso, onde pensávamos que estariam?
Como fomos ingênuos...

Estão ali, aqui, ao lado, e se possível, nos escolhidos.

Dentro dos templos, atrás das colunas,
No olho da pirâmide, que ninguém percebe e ninguém vê
Nos vitrais que escondem chifres
Nos dedos menores que pingam sangue
No sol, na, lua, nas estrelas
Nos olhos vendados
No piso preto e branco
Nas cordas no pescoço
Nas espadas no peito
Nas caveiras no centro da mesa
Seja na simples ferramenta do pedreiro
Seja no  instrumento do arquiteto que repousa sobre a Bíblia

Na Palavra enterrada
Nos rituais que parecem santos
Nos objetos execráveis, que reduzem à criatura, o Deus Criador
Ali estão

Mergulhados no passado, na mistura de culturas antigas,
nas crenças de outros povos,
no mistérios do ocultismo

Estes loucos pregadores de engano
Pagãos vestidos de anjos
Invadiram os templos santos
Com suas heresias milenares
De uma história marcada de sangue
De santos queimados vivos
De pergaminhos rasgados
E de porões que escondem mistérios do sangue real


Venderam lotes nos céus,
Ostentaram a capa e a cruz
Manobraram o pensamento
Usaram a arma da ignorância contra os ignorantes
Proporam sonhos altos na voz de testemunhos igualmente iludidos

Para dar mais crédito, o próprio inimigo se passou por derrotado
Contou o que fazia
Fez revelações
Andou de joelhos

O povo sofrido, suspirando pela cura...
pensou estar no lugar certo.

A Palavra manipulada
chegou aos manipuláveis corações
cheios de emoção e lágrimas

O povo sentiu, cantou, chorou e se rendeu aos encantos do enganador
Pensando estar livre dele
Fizeram dele o seu senhor

Bastou  virem um nome
Um coração ardente de amor
A paz numa pomba
para entraram no aprisco, na arca da perdição,
ovelhas sem pastor.
















sábado, 15 de fevereiro de 2014

CORAÇÃO DE DIREITO

O coração é quem manda
dar
fazer
não fazer

igual obrigação de um negócio
igual contrato
prestação
dívida

ou paga-se certo, cumpre-se o prometido
ou perde-se o que tem
o nome, a palavra

O amor faz dívida
se não se paga com a mesma moeda
em igual quantia

é bem valioso
infungível

exige-se perdas e danos
 compensação e mora

 investe-se muito
 promete-se
assina-se em baixo
preto no branco

vira lei
vira pacto
qualificado
registrado

responsabiliza-se
pela consequência do ato

se é incapaz
anula-se o negócio
na forma da lei
não é certo coagir

se há culpa
ou dolo

se houve ou não intenção
responde-se por isso

é hora de saber
que fazer tem consequência
como também o não fazer.






domingo, 2 de fevereiro de 2014

IMPREVISÍVEL AMANHÃ

IMPREVISÍVEL AMANHÃ

A gente sonha com algo perfeito...
Em ter o sorriso constante na boca...
E olhos sem lágrimas.
A gente sonha com a companhia que não nos deixa.
Com o braço que apoia nossa cabeça, enquanto a gente dorme... 
A gente sonha em caminhar sempre ao lado, 
na segurança e proteção de alguém mais que amigo.
A gente pensa que tudo está sempre perfeito ou ficará...
 A gente não apenas sonha, mas também espera, com força e ânsia...
Aguardando impaciente 
 A gente pensa que vive um sonho, 
mas descobre que perdeu o sorriso. 
 A gente pensa que não estar só, basta
 Se engana porque isso não é a felicidade Num piscar a gente acorda e vê que no sonho era mais real...
Era vivo e intenso
 Era perfeito o sonho,
 mas a realidade não é, 
nunca foi e não será...
 A gente sofre quando recusa a realidade Quando não quer acordar.
 Sofre porque se nega a crer que o tempo é rápido e atropela sonhos...
 É assim mesmo: não dá tempo de viver tudo.
 Que aquilo que tanto se quis, passa... 
E nem sempre o que se quer, se alcança...
 É a vida.
 O sonho flutua no horizonte, que 
 lá longe, nos desafiando a tocá-lo, 
como o sol no poente intangível,
 atraente, sedutor e deslumbrante...
  O sonho nos chama, nos engana...
 Sem tempo de alcançá-lo,
 mesmo assim vamos ao seu encontro...  Como o sol que se esconde,
 ele brinca com nossos maiores anseios... Frustra nossas melhores expectativas... Nos deixa na metade do caminho...
  A mercê do imprevisível amanhã.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

QUEBRA

QUEBRA A ponta do lápis quebra A caneta falha A tinta acaba A folha murcha A flor cái Se esquece o pingo do j a vírgula, o acento A vida é assim A gente sabe e não faz Não faz, não porque não se quer Não se faz, por que não dá Porque o dinheiro acaba Porque o sonho murcha A vontade esgota As preocupações fazem esquecer “É prioridade, ceda a vez!” Mais coisas surgem Se avolumam. Vem a avalanche! Mas não dá tempo de dar um grito de pedir socorro Não dá pra correr da espada Nem há coragem pra se entregar à cruz E aí? Fazer o que? Quem se interessa, se a ponta quebrou? se a flor caiu, se a folha murchou? Quem entende? Quem te diz como e o que fazer? Cadê o recurso? Cadê a ferramenta? Cadê a vontade, a força, a coragem? Fazer, fazer, fazer... Faça ! Faça! Faça! Alguém entende que nem sempre dá? Que o caminho é difícil com pé descalço? Que o chão tá quente? Que a pedra machuca? Que tá sangrando? Alguém entende? Tem alguém aí? Alguém me ouve? Não... Se quero mesmo sair, preciso apenas seguir em frente.