Profanaram os altares?
Lobos em pele de cordeiros,
Seus sepulcros caiados!
Profanaram, sim, o lugar santo
Agora eu vejo!
Ergueram o abominável da desolação
Quem lê, entenda!
Fizeram a morada do anticristo
Debaixo dos meus, dos nossos olhos
Ofertamos sem saber a quem
Invadiram a casa do Senhor?
Hereges!
Vaidosos, orgulhosos, cheios de cobiça
Contaminaram milhões
Seduziram os pobres com promessas de grandeza,
Mercadejaram a fé em nome do deus manon
Fizeram tudo, tudo isso
Sem medo, sem piedade
Pois nada temem
O povo, submisso e fiel,
pensou ser o escolhido
Não vimos seus símbolos pagãos
Não vimos a maldade estampada em seus olhos
Não percebemos suas intenções
Apenas sacrificamos
Sangue e alma
Caímos feito bobos
nas teias da perdição
Como fantoches, fomos a própria cena
de um teatro armado para pescar quem semeie
Quanto engano...quanto tempo... quantas perdas...
Fomos contaminados pela ostentação
Almejamos ser grandes
Pagamos ao seu deus com fidelidade
A cada promessa de favor, uma moeda;
ou melhor: o nosso tudo.
Sem sacrifício? Sem sucesso.
Explicado.
Ninguém ousou duvidar.
Quem subestimou o mal
e pensou que ele estava ali na esquina, no bar, na sarjeta...
Matando, roubando, destruindo...Em nossas casas causando desgostos,
Nos saquitéis furados...Nos leitos de dor...
Se enganou.
Eles querem muito mais que isso...
Estão instituindo uma nova ordem
Tomando o poder das nações
Principados e potestades deste mundo tenebroso, onde pensávamos que estariam?
Como fomos ingênuos...
Estão ali, aqui, ao lado, e se possível, nos escolhidos.
Dentro dos templos, atrás das colunas,
No olho da pirâmide, que ninguém percebe e ninguém vê
Nos vitrais que escondem chifres
Nos dedos menores que pingam sangue
No sol, na, lua, nas estrelas
Nos olhos vendados
No piso preto e branco
Nas cordas no pescoço
Nas espadas no peito
Nas caveiras no centro da mesa
Seja na simples ferramenta do pedreiro
Seja no instrumento do arquiteto que repousa sobre a Bíblia
Na Palavra enterrada
Nos rituais que parecem santos
Nos objetos execráveis, que reduzem à criatura, o Deus Criador
Ali estão
Mergulhados no passado, na mistura de culturas antigas,
nas crenças de outros povos,
no mistérios do ocultismo
Estes loucos pregadores de engano
Pagãos vestidos de anjos
Invadiram os templos santos
Com suas heresias milenares
De uma história marcada de sangue
De santos queimados vivos
De pergaminhos rasgados
E de porões que escondem mistérios do sangue real
Venderam lotes nos céus,
Ostentaram a capa e a cruz
Manobraram o pensamento
Usaram a arma da ignorância contra os ignorantes
Proporam sonhos altos na voz de testemunhos igualmente iludidos
Para dar mais crédito, o próprio inimigo se passou por derrotado
Contou o que fazia
Fez revelações
Andou de joelhos
O povo sofrido, suspirando pela cura...
pensou estar no lugar certo.
A Palavra manipulada
chegou aos manipuláveis corações
cheios de emoção e lágrimas
O povo sentiu, cantou, chorou e se rendeu aos encantos do enganador
Pensando estar livre dele
Fizeram dele o seu senhor
Bastou virem um nome
Um coração ardente de amor
A paz numa pomba
para entraram no aprisco, na arca da perdição,
ovelhas sem pastor.