Descobri que tenho preguiça de fazer meu talento virar dinheiro.
De profissionalizar o que faço por habilidade inata.
Não quero aplicar esforço.
Não quero empreender nenhuma tentativa.
Algo falta; e, simplesmente, não quero completar.
Não quero o aperfeiçoamento, a aprendizagem.
Quero a forma rude.
O meu jeito despretencioso e gratuito de me inspirar e escrever.
Se existem técnicas, formas, meios e maneiras, simplesmente ignoro e desprezo.
Quero extrair de mim a primeira idéia, sem trabalhá-la.
Não quero pensar duas vezes.
Quero o sabor do desabafo, o alívio que me dá quando escrevo o que sinto.
Palavras se formam naturalmente e borbulham.
Mistério meu, só interessa a mim.
Não quero o trabalho de revisar e corrigir.
Não quero julgar a moral das minhas histórias.
Quero o argumento instintivo e bruto.
Sem técnica mesmo.
Não quero expor meu trabalho às críticas.
Prefiro permanecer em segredo,
como aquela receita caseira de bolo, que de tão comum, não se repassa.
Serve apenas para tomar com o café e, quiçá, servir para as visitas mais íntimas.
Esse bolo, prefiro comer só, com uma xícara de café fresquinho, sentada à mesa da cozinha.
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