A morte é o silêncio
É o adeus que não se deu
É o gelo na espinha
É o vento frio na tarde cinzenta, anunciando a solidão e a perda
É das certezas, a mais cheia de sombras
Morte é dúvida, é interrogação, é medo
Morte é o repente
É o mais inesperado dos acontecimentos prováveis
É o que não se quer
O indesejável
O inesperado que tem dia e hora marcados
Morte é o desconsolo
É a frase feita
O sinto muito, de uma dor que só quem perde sente
E quem foi, sente?
E quem foi, sabe?
Pra onde e por quê?
É a distância mais longe de todas
É o abismo e o infinito juntos
É o passo em falso
Sem volta
É a pena injusta dos inocentes
E a maldição dos culpados
É o lamento mais sofrido
O mais doído pranto
É a saudade
É a falta condenada a ser pra sempre
É o fim e ponto
É o final, até quando?
Terá um dia, numa terra desconhecida, um talvez?
Haverá um reencontro?
Uma chance para a última palavra, que não foi dita?
Para o último sorriso que secou?
Sempre existirá o batom negro do luto, nos lábios molhados de lágrima.
Ana Toledo 23/11/2013.
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