quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
QUEBRA
QUEBRA
A ponta do lápis quebra
A caneta falha
A tinta acaba
A folha murcha
A flor cái
Se esquece o pingo do j
a vírgula, o acento
A vida é assim
A gente sabe e não faz
Não faz, não porque não se quer
Não se faz, por que não dá
Porque o dinheiro acaba
Porque o sonho murcha
A vontade esgota
As preocupações fazem esquecer
“É prioridade, ceda a vez!”
Mais coisas surgem
Se avolumam. Vem a avalanche!
Mas não dá tempo de dar um grito
de pedir socorro
Não dá pra correr da espada
Nem há coragem pra se entregar à cruz
E aí? Fazer o que?
Quem se interessa, se a ponta quebrou?
se a flor caiu,
se a folha murchou?
Quem entende?
Quem te diz como e o que fazer?
Cadê o recurso? Cadê a ferramenta?
Cadê a vontade, a força, a coragem?
Fazer, fazer, fazer...
Faça ! Faça! Faça!
Alguém entende que nem sempre dá?
Que o caminho é difícil com pé descalço?
Que o chão tá quente? Que a pedra machuca? Que tá sangrando?
Alguém entende?
Tem alguém aí?
Alguém me ouve?
Não... Se quero mesmo sair, preciso apenas seguir em frente.
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